Viva a Comuna

Envolvidos que estivemos, todos, na campanha eleitoral, foi pouco (ou nada) lembrada a Comuna de Paris, na passagem dos 140 anos da sua derrota a 28 de Maio (dia fatídico este) de 1871, com o assassínio pelo governo reaccionário de Versailles de 25000 revolucionários e patriotas franceses – na “semana sangrenta”, entre 21 e 28 de Maio – nas barricadas e nas perseguições políticas que se seguiram.

A Comuna, até por ter demonstrado que “a classe operária não pode simplesmente tomar posse da máquina de Estado montada e pô-la em movimento para os seus objectivos próprios” (prefácio de Marx e Engels à edição Alemã de 1872 do Manifesto Comunista ) foi uma experiência histórica singular, que permitiu aos revolucionários (a começar por Marx e Engels e a continuar em Lénin) retirar dos seus ensinamentos as lições necessárias, quer para a produção teórica, quer para o sucesso da acção prática (nomeadamente na Revolução Russa).

Áqueles communards, homens e mulheres que durante 72 dias constituíram [nas palavras de Barata Moura no prefácio do Manifesto do Partido Comunista (edições Avante, 1997)]  “a primeira experiência de ditadura do proletariado na história, governo revolucionário da classe operária criada pela revolução proletária em Paris” e que tombaram na defesa firme das suas convicções, uma profunda e sentida vénia.

Relembrar-nos-emos e inspirar-nos-emos no vosso exemplo.

 

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CDU mais forte


O futuro em construção

“Não sei quem vai ganhar, mas o mais provável é que todos iremos perder.”

Li algures esta frase, ainda durante a campanha. Parece-me um bom resumo do antes e depois de mais um processo eleitoral. O essencial já estava escrito.

Seguir-se-ão, e a todo o vapor, os ataques aos trabalhadores. Seguir-se-á também, do outro lado da barricada, a luta contra estas irredutíveis máquinas de exploração que são o FMI, o BCE, a EU, e os seus capatazes locais. Seguirá deste lado o PCP, com o seu trabalho de esclarecimento e mobilização para a luta, com os trabalhadores, com o povo.

Passado o circo eleitoral, com as suas cores vivas e discursos limpinhos, com autocarros e merendas e passeios turísticos, voltamos a pensar no trabalho, na vida, nas contas, no que sobra de mês ao fim do salário. Voltamos à luta, de onde o PCP nunca saiu.

Construir um futuro digno demora muito tempo, mas não vamos ficar à espera. Sabemos que temos as “armas” na nossa mão, que temos o caminho pela frente para caminhar.

Somos todos operários da nossa condição. O que fazemos com as ferramentas que temos na mão é a razão da nossa existência. Mudar o mundo é só um meio para atingir um fim – O fim da exploração do homem pelo homem. A História, como o futuro, demora muito tempo, mas não tarda, está aí a cada dia. Dia após dia, em todas as lutas estará o futuro em construção.

Para isso será necessário contar com todos os que sentem os efeitos do aperto do rolo compressor do capital. Contactar, envolver, esclarecer, mobilizar todos os operários da nossa história colectiva. Continuar o trabalho feito, e que continua a dar resultados, e dar ao povo as ferramentas para construir o seu futuro, necessariamente em cima das ruínas do passado corrompido que deixaremos para trás.


Que fazer?!

As eleições do passado dia 5 de Junho não trouxeram muito (ou nada) de surpreendente para os trabalhadores, o povo e o país. A política da troika foi ractificada pelo voto popular, e sê-lo-ia sempre, ganhasse o PSD, como se verificou, ou ganhasse o PS, ajudados pelo CDS que, desde o início se tinha disponibilizado para ser muleta em Parlamento minoritário.
O BE, levado ao colo em eleições anteriores, cometeu, desta vez, o pecado de se rebelar e de se recusar a dar a cobertura á esquerda das políticas impostas pelo FMI. Foi-lhe sumáriamente recordada a razão da existência- a saber- ser a esquerda folclórica que distraísse e captasse os tradicionais eleitores do PCP e os colocasse na orbita da suposta “modernidade”, ou seja, na asséptica concepção de uma sociedade sem luta de classes, de um capitalismo reformável e de rosto humano. Pagou-o com língua de palmo, com uma sangria de votos em transfusão directa para o PS e CDS, que reduziu o BE à metade da representação parlamentar.
A CDU foi assim, confirmada como a única forca de esquerda capaz de aglutinar vontades e acções, capazes de levar à alteração de políticas, capaz de dar corpo a uma proposta verdadeiramente de ruptura e mudança.
Com um grupo parlamentar reforçado, a acção da CDU sai reforçada mas, verdadeiramente importante para os trabalhadores, é que, ao seu lado nas lutas que se avizinham a passos largos, dir-se-ia, a saltos de Coelho, contam com um PCP (ainda) mais forte e capaz de aglutinar vontades, determinações e propostas da esquerda em bloco.
Nesta grande trincheira que é necessário criar- no combate à direita, nacional e transnacional- todos podem ter lugar, mesmo os que cabisbaixos agora desanimam e pensam capítular perante alguns maus resultados . A esses é necessário lembrar que este Partido, com 90 anos de História, nunca capitulou mesmo perante as maiores adversidades. A esses é necessário dizer que são bem vindos a engrossar as fileiras dos que lutam, não (só) à volta das questões mediáticas e fracturantes, mas sim, e sem perder o rumo e o objectivo, da transformação revolucionaria da sociedade, pela construção de uma sociedade nova, emancipadora dos trabalhadores e dos povos.
Dia 6 já chegou e com ele o anúncio de que se prepara a direita para, velozmente, colocar em pratica o acordo assinado.
Arregaçar as mangas e começar a preparar a luta nunca foi tão necessário. Desta vez não há surpresas, estados de graça e o esperar para ver. Todos já conhecem os planos do governo. Não há ilusões. Então, sem perca de tempo, a palavra de ordem é mobilizar para a luta. Para a unidade na acção de todos os trabalhadores, mesmo aqueles que (mais uma vez) foram enganados e levados a entregar o seu voto a quem não os representa. Pior, a quem já lhes comeu a carne e agora quer roer os ossos.
Animados por bons resultados, firmes nas convicções, armados com a razão, à questão “que fazer?”, ontem como hoje, a resposta será sempre a união entre a teoria e a pratica revolucionarias.
Só um Partido revolucionário, bem armado ideologicamente, será capaz de fazer a revolução. E esta, mais cedo ou mais tarde, é inevitável e necessária.


Pensamento do dia … de reflexão

Reflectir, Reflectir…mas não ficar a dormir!…


Mistificações

 

 

 

 

 

 

Não tem sido nada frequente nesta campanha a designação de candidato a primeiro ministro, comum em anteriores eleições, para apontar os principais dirigentes dos partidos considerados pelos comentadores como fazendo parte do arco (da velha) governativo. 

Foi, como nunca tinha sido, pisada e repisada a ideia dos programas dos partidos. O seu conteúdo foi reclamado como diferente ora pelo PS, ora pelo PSD, ora pelo CDS.  Os politólogos afadigaram-se em querer realçar que, apesar de todos estes três partidos terem assinado o acordo com a troika, possuíam ideias e formas diferentes de o levar à prática. Que a bordoada que o Zé Povinho levava deste seria mais acolchoada que pelo outro. Que o cacete descer, descia, mas aquele batia com mais preocupações sociais que aqueloutro.

Pela primeira vez em muitos anos desdobraram-se os comentadores, e os próprios partidos da troika nacional, em explicar que as eleições eram para a Assembleia da República. Todos os dias saem projecções seguidas das inevitáveis contas do como será. Se o PS prefere unir-se com o CDS. Se este outro não enjeitaria um ménage à trois, ou ainda se o PSD com o CDS não chegaria para formar governo maioritário. Tudo isto temperado pelos acordos parlamentares que serão necessários. Chegaram a aventar se não seria possível que uma união de partidos pudesse governar em vez da força política mais votada. Responderam lestos à retórica- claro que sim! a Constituição permite-o…

Os “lideres” são, como há muitas eleições não acontecia, identificados pelo círculo eleitoral a que concorrem – Sócrates por Castelo Branco, Passos por Vila Real, Portas por Aveiro. Nunca, até agora, o sistema eleitoral tinha sido tão explicado. Raramente, até hoje, a constatação de que é da maioria formada na Assembleia da República e do convite feito pelo Presidente que sairá o próximo Governo, tinha sido evidenciada.

O PCP e a CDU têm vindo, desde sempre, e continuam a repetir exactamente que as legislativas não eram para a eleição de um governo nem de um Primeiro-Ministro. Que competia ao Presidente da República o convite para a formação de Governo. Que mais votos e deputados da CDU ajudavam a que existissem menos votos nos Partidos que praticaram e praticam as políticas de direita e que levaram o país para esta crise. Que consoante o equilíbrio das forças na Assembleia da República haveria, e há, maiores ou menores condições de defender uma política de esquerda, ao serviço dos trabalhadores, do povo e do país.

Estas posições da CDU foram bastas vezes caricaturadas. Foi o PCP acusado de ter uma visão restritiva (como se uma visão lata fosse possível) da Constituição e dos seus princípios. Que hoje os eleitores se preocupavam com as “personalidades” e cada vez menos com os Partidos.

Compreende-se a inversão de posições nestas eleições. É imperioso para o capital que, ganhe quem ganhar, se unam e se entendam entre três, os tais que assinaram. É importante que fique deslocado dos supostos sacrifícios que “todos” temos de fazer o debate acerca de outras soluções – reestruturação da dívida, entrega dos dinheiros emprestados à produção nacional, aos trabalhadores, às micro, pequenas e médias empresas, à nacionalização de sectores fundamentais da economia, à criação de postos de trabalho e ao aumento dos salários, também eles geradores de riqueza e de crescimento económico e social.

Foi, desde o início desta período eleitoral, decretado mais ou menos abertamente, mas sempre ad nauseam, que quem estava com a troika e assinava os compromissos podia ser governo ( o tal saído da AR) quem não estivesse  seria relegado para a poeira da História.

Tudo isto é sabido e até, de alguma forma repetido. Agora, interessante, interessante, é verificar que a mesma comunicação social que se esforça em evidenciar as regras da democracia eleitoral portuguesa, a mesma imprensa que vinca, sempre que pode, a inutilidade do voto da CDU, aparece agora a anunciar o Secretário Geral do PCP em variadas iniciativas de campanha eleitoral como, Jerónimo de Sousa candidato da CDU a Primeiro Ministro.

(siga o Link: http://www.dn.pt/galerias/fotos/?content_id=1863383&seccao=Portugal relativo a um slide show de imagens da campanha eleitoral da CDU editado pelo Diário de Notícias on-line).

Inocência?!  Linguagem jornalística?! Liberdade poética?! Ná… MISTIFICAÇÃO!… e da grande!


A não-noticia

Não é ainda noticia (e provavelmente é coisa que não chegará à televisão e aos jornais), mas é suficientemente bastante grave, para que seja absolutamente necessário publicar e divulgar.

Na passada noite, de 1 para 2 de Junho, elementos da JCP foram agredidos por elementos ligados à extrema direita, em Lisboa, enquanto procediam à afixação de propaganda da Juventude CDU.

Repito: Jovens que procediam à colocação de propaganda politica, em pleno periodo eleitoral, foram agredidos por elementos ligados à extrema direita!

Esta situação não é nova. Mas a verdade é que nos ultimos tempos, com a degradação das condições económicas e com a destruição sistemática do nosso tecido social, perpetrado pelos sucessivos governos de direita (sejam eles liderados por PSD ou PS), se tem assistido a crescer da visibilidade da extrema-direita. Foi disso exemplo a mobilização protagonizada por estes para o 12 de Março e mesmo o facto de o PNR ir concorrer, em Setúbal, com uma lista própria, para além de andar, sistemáticamente a destruir a propaganda do PCP no Concelho de Almada.

Tempos de crise económica e social, a que acrescem os discursos irresponsáveis de quem diz que os “partidos são todos iguais”, ajudam a tornar estes movimentos anti-democráticos mais apelativos aos olhos de quem se sente posto à margem pelas politicas que a direita tem promovido, pelos ataques que esta tem perpetrado a trabalhadores e populações.

A luta contra estes grupos começa, em primeiro lugar, pela defesa dos direitos democráticos. O direito de propaganda politica, entre outros, exige a constante vigilância contra quem quer limitar a acção politico-partidária escondido atrás da “defesa do património”; “defesa da propriedade pública”, em nome dos interesse encapuçados do Capital.

Os ataques de ontem contra os jovens da JCP não são diferentes, em conteúdo e justificação, dos discursos exaltados “em defesa do património da Cidade de Coimbra”, nas escadas monumentais; dos limites que a Câmara Municipal do Porto tentou(sem sucesso) impor ao PCP e JCP para a afixação da sua propaganda; da vandalização dos murais do PCP e JCP em Almada, por elementos da JSD/almada; do apagar dos murais pela Câmara Municipal de Almada, em nome da requalificação urbana.

Em todos estes casos, está em causa a liberdade de actuação politica. Estão em causa os nossos direitos, os direitos de todos nós. Está em causa a democracia!

PS: Normalmente, chamar-se-ia a policia para defender o agredido do agressor mas, tendo em conta a actuação normal das “forças da ordem”, pergunto-me se poderemos mesmo contar com quem deveria, em primeiro lugar, defender a lei.


Gil Scott-Heron

Gil Scott-Heron

Subo a bordo do Aurora com uma despedida.

 Despeço-me de Gil Scott-Heron (1949 – 2011), pioneiro da música urbana americana, “proto-rapper” que nos trouxe uma verdade incontornável: “The Revolution will not be televised”.

Faleceu na passada Sexta-feira. Fica a musica. Ficará sempre a musica.


Grande Arruada em Almada

 

(Vídeo em: http://www.CDU.pt)


Agora CDU!

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