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O futuro em construção

“Não sei quem vai ganhar, mas o mais provável é que todos iremos perder.”

Li algures esta frase, ainda durante a campanha. Parece-me um bom resumo do antes e depois de mais um processo eleitoral. O essencial já estava escrito.

Seguir-se-ão, e a todo o vapor, os ataques aos trabalhadores. Seguir-se-á também, do outro lado da barricada, a luta contra estas irredutíveis máquinas de exploração que são o FMI, o BCE, a EU, e os seus capatazes locais. Seguirá deste lado o PCP, com o seu trabalho de esclarecimento e mobilização para a luta, com os trabalhadores, com o povo.

Passado o circo eleitoral, com as suas cores vivas e discursos limpinhos, com autocarros e merendas e passeios turísticos, voltamos a pensar no trabalho, na vida, nas contas, no que sobra de mês ao fim do salário. Voltamos à luta, de onde o PCP nunca saiu.

Construir um futuro digno demora muito tempo, mas não vamos ficar à espera. Sabemos que temos as “armas” na nossa mão, que temos o caminho pela frente para caminhar.

Somos todos operários da nossa condição. O que fazemos com as ferramentas que temos na mão é a razão da nossa existência. Mudar o mundo é só um meio para atingir um fim – O fim da exploração do homem pelo homem. A História, como o futuro, demora muito tempo, mas não tarda, está aí a cada dia. Dia após dia, em todas as lutas estará o futuro em construção.

Para isso será necessário contar com todos os que sentem os efeitos do aperto do rolo compressor do capital. Contactar, envolver, esclarecer, mobilizar todos os operários da nossa história colectiva. Continuar o trabalho feito, e que continua a dar resultados, e dar ao povo as ferramentas para construir o seu futuro, necessariamente em cima das ruínas do passado corrompido que deixaremos para trás.


A não-noticia

Não é ainda noticia (e provavelmente é coisa que não chegará à televisão e aos jornais), mas é suficientemente bastante grave, para que seja absolutamente necessário publicar e divulgar.

Na passada noite, de 1 para 2 de Junho, elementos da JCP foram agredidos por elementos ligados à extrema direita, em Lisboa, enquanto procediam à afixação de propaganda da Juventude CDU.

Repito: Jovens que procediam à colocação de propaganda politica, em pleno periodo eleitoral, foram agredidos por elementos ligados à extrema direita!

Esta situação não é nova. Mas a verdade é que nos ultimos tempos, com a degradação das condições económicas e com a destruição sistemática do nosso tecido social, perpetrado pelos sucessivos governos de direita (sejam eles liderados por PSD ou PS), se tem assistido a crescer da visibilidade da extrema-direita. Foi disso exemplo a mobilização protagonizada por estes para o 12 de Março e mesmo o facto de o PNR ir concorrer, em Setúbal, com uma lista própria, para além de andar, sistemáticamente a destruir a propaganda do PCP no Concelho de Almada.

Tempos de crise económica e social, a que acrescem os discursos irresponsáveis de quem diz que os “partidos são todos iguais”, ajudam a tornar estes movimentos anti-democráticos mais apelativos aos olhos de quem se sente posto à margem pelas politicas que a direita tem promovido, pelos ataques que esta tem perpetrado a trabalhadores e populações.

A luta contra estes grupos começa, em primeiro lugar, pela defesa dos direitos democráticos. O direito de propaganda politica, entre outros, exige a constante vigilância contra quem quer limitar a acção politico-partidária escondido atrás da “defesa do património”; “defesa da propriedade pública”, em nome dos interesse encapuçados do Capital.

Os ataques de ontem contra os jovens da JCP não são diferentes, em conteúdo e justificação, dos discursos exaltados “em defesa do património da Cidade de Coimbra”, nas escadas monumentais; dos limites que a Câmara Municipal do Porto tentou(sem sucesso) impor ao PCP e JCP para a afixação da sua propaganda; da vandalização dos murais do PCP e JCP em Almada, por elementos da JSD/almada; do apagar dos murais pela Câmara Municipal de Almada, em nome da requalificação urbana.

Em todos estes casos, está em causa a liberdade de actuação politica. Estão em causa os nossos direitos, os direitos de todos nós. Está em causa a democracia!

PS: Normalmente, chamar-se-ia a policia para defender o agredido do agressor mas, tendo em conta a actuação normal das “forças da ordem”, pergunto-me se poderemos mesmo contar com quem deveria, em primeiro lugar, defender a lei.


Gil Scott-Heron

Gil Scott-Heron

Subo a bordo do Aurora com uma despedida.

 Despeço-me de Gil Scott-Heron (1949 – 2011), pioneiro da música urbana americana, “proto-rapper” que nos trouxe uma verdade incontornável: “The Revolution will not be televised”.

Faleceu na passada Sexta-feira. Fica a musica. Ficará sempre a musica.