O esticar da corda

A situação económica em vários países europeus revela que os tempos são de um rápido e violento aprofundamento da crise económica e financeira na União Europeia, expressão vívida da crise estrutural do capitalismo.As atenções continuam voltadas para a Grécia. Um cartoon de um semanário nacional intitulado «a economia grega em cacos» ilustra bem a situação. O País que está sujeito a um gigantesco processo de roubo organizado e de acelerada e perigosíssima «desconstrução» social vê-se ainda mais «encostado às cordas». A voragem do grande capital europeu – nomeadamente dos bancos alemães e franceses, os principais credores da dívida pública grega – e a deriva colonialista de potências como a Alemanha parecem não ter limites.

A libertação da quinta tranche do dito «pacote de resgate» do FMI e da UE foi condicionada à imposição de um novo e absolutamente insustentável pacote de austeridade que entre novas e violentas medidas anti-sociais inclui um milionário e acelerado programa de privatizações de 50 mil milhões de Euros em que se pretende entregar ao capital estrangeiro empresas como a OTE (foi anunciada já a entrega de 10% da empresa de telecomunicações helénica à Deustsche Telekom alemã por 400 milhões de Euros) ou a Opap, a maior empresa de lotaria e apostas desportivas da Europa.

Mas não chega! A Grécia está agora sujeita a uma nova escalada de chantagem e ingerência. Para alimentar a voragem da banca alemã e francesa o Eurogrupo acaba de anunciar um acordo sobre um novo mal chamado «empréstimo» no valor de 60 mil milhões de Euros que empurra este país para a dependência e saque sem fim à vista e que desta feita terá a participação directa dos extortores, os grandes grupos económicos e financeiros europeus e norte-americanos. Um pacote a que vêm acopladas medidas como uma «comissão externa» (ou seja os protagonistas do saque do património público grego) para monitorizar a cobrança de impostos e dirigir o processo de privatizações.

Estamos perante um verdadeiro «esticar de corda» na Grécia. A importante onda de lutas sociais em curso neste país, bem como os recentes acontecimentos de explosão de revolta popular não direccionada, demonstram bem a magnitude do embate. Um embate que já levou a CIA a usar dos seus conhecidos métodos para, por um lado, aterrorizar povos em luta, e por outro, sinalizar até onde o imperialismo pode ir, emitindo um «informe» em que alerta para «o alto risco de um golpe militar» neste país.

Mas a situação na Grécia é apenas uma das faces de uma tendência geral que não está confinada aos chamados «PIGS» (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha). A situação económica na Itália e Bélgica, os recentes ataques especulativos e ameaças contra estes povos, a discussão sobre a reestruturação das dívidas soberanas e a profusão de teses sobre o fim do Euro ou a expulsão de alguns países, são demonstrativos da realidade que alguns ainda procuram esconder: a crise é geral e o edifício neoliberal, federalista e militarista da União Europeia está a abrir fissuras a cada dia que passa.

Mas não se desmoronará por si. O capital e a burocracia europeia respondem com uma extremamente violenta ofensiva que já coloca num plano qualitativamente diferente o quadro de relações sociais e de correlação de forças entre capital e trabalho na Europa, e que, de forma crescente, ataca directamente os direitos democráticos, a democracia e a soberania dos povos. São tempos de grandes perigos e extremamente voláteis aqueles que vivemos no continente europeu. Tempos que exigem dos trabalhadores e dos povos, dos comunistas e outras forças progressistas, muita determinação, firmeza, coragem e unidade de modo a que a corda parta para o lado dos trabalhadores, do progresso e da democracia.

(Artigo publicado na edição de 09.06.2011 do “Avante!”)

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